O Júri da 4.ª edição do Prémio Literário Carlos Carranca, reunido no passado dia 10 de fevereiro, deliberou, por unanimidade, atribuir o galardão a Fernando Hilário, pseudónimo literário de Fernando Mário, com a obra O Pintor Apavorado.
Natural do Porto e residente, há vários anos, em Vilar do Monte, Ponte de Lima, Fernando Hilário é licenciado em Letras e doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada. Ao longo do seu percurso académico e profissional, foi professor do ensino secundário e do ensino superior privado e público, tendo desenvolvido também trabalho nas áreas da formação pedagógica de professores, edição de livros didáticos, investigação e crítica literária.
O autor esteve ligado a várias instituições de ensino e investigação, tendo colaborado, entre outras, com a Escola Superior de Educação do Porto, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Instituto Piaget e o CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi ainda cofundador do Centro de Línguas e Culturas da Universidade Fernando Pessoa.
Com colaboração dispersa na imprensa escrita, foi colaborador do Jornal de Notícias, onde assinou a rubrica “Escrita de Mel e Água”, dedicada a crónicas e contos. No plano associativo, foi membro fundador da Direção da Associação de Escritores de Gaia e fundou, em 2018, a Associação de Escritores, Jornalistas e Produtores Culturais de Ponte de Lima, da qual é atualmente Presidente da Direção.
Fernando Hilário conta com obra publicada em diferentes áreas, com destaque para a poesia, o ensaio, a investigação literária e as artes plásticas. Recebeu vários prémios de poesia e publicou, entre outros, os livros Tempo Instante (2003), A idade das paisagens anteriores (2009), A Exposição da Luz (2016) e Ponte de Lima – uma pérola no colar (2026). Em 2016, publicou ainda Desenhos Para Pessoa, trabalho de ilustração de textos de Fernando Pessoa. Desenvolve atualmente investigação na área da poesia concreta.
Pintor e escultor, expõe com regularidade desde 1980, tendo realizado, nos últimos anos, exposições como O desenho das palavras – da realidade à evasão, na Biblioteca Municipal de Ponte de Lima, em 2019, e Fernando Hilário, exposição evocativa de 40 anos de sonho e arte, na Torre da Cadeia Velha, em Ponte de Lima, em 2020.
Na apreciação da obra vencedora, é destacado “[…] uma concentração de imagens e metáforas que se diversificam e criam uma tão sugestiva poesia que se torna expansiva. Nelas dir-se-ia que é ‘o campo das palavras’ que se alarga cada vez mais ou para mais longe”, num comentário assinado por Fernando Guimarães.
O Júri deliberou ainda atribuir Menção Honrosa a Maria Clara Teodoro Ferrão, natural de São Bartolomeu do Outeiro, que concorreu com o pseudónimo C. Ross, pela obra Cordas plúvias – variações sobre uma serra em voz alta.
A obra vencedora, bem como o seu autor, serão apresentados publicamente no próximo dia 21 de março, na Gala de Leitura da Lousã.